Por que minha escolha é Beto Trícoli.

O modelo de política partidária, tal como consta na Constituição, é falido. E não é passível de recuperação. Ainda assim, precisamos do Estado, para organizar minimamente a sociedade civil. Que somos nós mesmos. E como não acredito na anarquia nem em totalitarismo, sobra-nos o próprio modelo, em que agremiações e pessoas buscam primordialmente a conquista e manutenção do poder. Os princípios e objetivos da República Federativa (e seus entes) são acessórios. É com esse modelo que teremos de nos virar nas próximas décadas, então é necessário escolher.

Escolhi Beto Trícoli. E digo por quê.

Preciso desbastar o campo, em ordem pessoal: meu pai tinha umas diferenças com ele. Mas, além de um chazinho de cadeira ocasional, não me consta que Beto o tenha desrespeitado alguma vez, em vida, nem agora, a sua memória. De modo que, meu pai estando em outras esferas, deve ter coisa muito mais importante pra se preocupar. Portanto, eventuais diferenças estão liquidadas.

Ainda desbastando o campo, em ordem geral: há anos presencio uma campanha sistemática contra sua pessoa e contra sua conduta política. Na imprensa e por meio de ações judiciais. Destas, as que tomei conhecimento tinham conteúdo risível, não deu pra levá-las a sério. Sinceramente, não sei se as demais acompanharam esse nível, ou não.

Mas sou um cidadão razoavelmente informado. Sei constatar a evidência do político corrupto, do mal intencionado, do fisiológico, do vazio-pretensioso, do energúmeno, nos diversos âmbitos da federação. Provavelmente quem me lê também saiba. Fato é que eu não constato nenhuma destas características em Beto Trícoli. E, no entanto, ele sofre aquela campanha sistemática há anos. Penso então: essa campanha toda, contra, foi muito mal feita. Não conseguiu me provar nada até hoje, nem me convencer.

Fato é, também, que trabalho numa Prefeitura. E digo: hoje, no Brasil, é impossível administrar ou governar sem a presença de denúncias, de ações, de inquéritos civis, do escambau, enfim. Todos se dizem inocentes. Desde a pessoa que eu sei sê-lo, até um Maluf, um Quércia, um Renan, entre milhares de outros dessa vala pútrida.

Por isso, para mim não basta rotular alguém de ficha-limpa ou ficha-suja. Ao que me consta, Quércia é um ficha-limpa, que afundou o Estado de São Paulo de tal maneira, que se precisou de vários governos seguintes (sua cria subsequente não conta), para reequilibrá-lo. Sei de mais de uma pessoa (e não vou nominá-las, já o fizeram demais, injustamente) que são fichas-sujas, pois foram condenadas por órgãos colegiados, ainda que tais decisões não tenham transitado em julgado (ou seja, ainda podem ser modificadas). E, no entanto, não tiveram dolo de prejudicar o erário ou beneficiar-se indevidamente. Erraram e, ao meu ver, pagaram um preço desproporcional, ainda mais se levando em conta o grau de impunidade em prol dos sabidamente maus.

Ultimamente tenho recebido reiterados e-mails, que me fizeram refletir e surtiram o efeito contrário do pretendido pelos remetentes. Me indignaram, com o grau de agressividade contra a pessoa de Beto Trícoli, utilizada não em defesa da cidade, mas nitidamente para marcar ponto, como oposição política. Foi como senti essas mensagens. Uni-as àquela campanha toda de que falei e vi uma pessoa massacrada, apanhando quieto. Repito: se eu estivesse convicto de que fosse um mau político, endossaria-os, mas os seus opositores não conseguiram ser convincentes o bastante. E isso tudo acabou me cheirando a injustiça, com a qual não posso concordar.

Por isso, e pela sua experiência como ex-vereador e ex-prefeito, torço para que Beto Trícoli se eleja deputado estadual na próxima eleição e possa representar ativamente Atibaia na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo.

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Dr. Decio Celidonio

Não posso ter a pretensão de contar quem são as pessoas, sem ter conhecimento para tanto. Mas consigo dizer quem são as pessoas para mim. E para falar quem é o Dr. Decio, para mim, tenho muito.

Dr. Decio é advogado, escritor e poeta. Morou seus anos de liberdade no norte do Paraná, como registrará um artigo de jornal que lerei. Mas é também quem fica na Secretaria do Fórum, junto com o Elicio e a Silvana, quando tenho que esperar meu pai fazer a distribuição das ações, com roletinha de quermesse. Aquela que o Marcio Stepanies leva até a sala de audiências, com as bolinhas de 1 a 4 (ou ainda seriam só 3?) pra dizer quem julga cada causa. É o Dr. Decio quem me recebe na Secretaria e conversa comigo com sua voz de cantor de blues, talvez devida ao mesmo Marlboro que continuará fumando daqui a vinte anos, quando eu for tomar café na casa de vista bonita, em agosto de 2010. Por enquanto devo ter meus 14, 15 anos. E ainda não sei que ele é amigo do futuro presidente Fernando Henrique Cardoso, a quem chama d’um coloquial Fernando, que dá gosto.

Dr. Decio é um dos amigos mais leais e verdadeiros de meu pai. E, com meus 14, 15 anos, eu ainda não posso ter a noção do que significa meu pai, em toda sua amplitude, em minha vida. Por falar em meu pai, já ouvi da boca dele, por mais de uma vez, que o Dr. Decio é uma das poucas pessoas por quem poria a mão no fogo. Aparte: como é bom termos essa meia dúzia de pessoas por quem podemos por nossa mão no fogo. Triste daquele que bate no peito e diz que não tem.

Dr. Decio sempre fez parte da banda boa de Atibaia. Dr. Paulo Bastos; Gilberto Sant’Anna (com quem ainda não estreitei os laços, mas é questão de tempo); modéstia às favas, o meu pai também, entre outros. E a banda boa de Atibaia é composta por muita gente, graças a Deus, ainda que espalhada. Por isso que gosto dela, como friso em todo post.

Daqui a uns vinte anos, em agosto de 2010, quando eu for tomar o café que a D. Maria Luiza passará, na casa da vista bonita, com escritório aconchegante aos fundos, na companhia de Juca Celidonio, voltaremos a conversar amiúde. E daí talvez eu possa começar a ter os elementos necessários para dizer mais quem é o Dr. Decio, para mim e todos nós.

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Maria Gadú

A idéia disso aqui veio ontem mesmo. E, quando a Maria Gadú começou os acordes no Centro de Convenções, consolidou-se. Confesso que dela nada sabia além da shimbalaiê da novela. Uma espécie de Ana Julia, talvez. Mas bem melhor. Pois então, assistia ao show, prestando atenção em cada nuance da voz e no movimentar dos dedos magrinhos corroborando a sua intenção ao microfone (nunca havia notado um sentimento gestual, ogro que sou) e pensando em como seria falar daquilo e de tudo que me remetesse à Atibaia, ou melhor, a um aspecto bem pessoal de Atibaia, ou seja, à Minha Atibaia. Sou ciumento com essa moça altiva e de olhar alheio, como quem espia por cima da serra do Itapetinga buscando o litoral ou o planalto paulista, vai saber quem Atibaia espera? Essa moça de mãos em concha de sua pedra-partida símbolo, buscando energia pra repassar aos seus filhos e enteados. Não suplicante, mas como quem diz: Dio Santo, dá logo uma luz pra eles, vai…

Mas o show foi bom demais. Músicos excelentes, repertório sensacional, autenticidade extrema da cantante, a mesma sensação de arte pura, que te faz pensar em turbilhão em muitas coisas, como o momento pelo qual passamos todos e, claro, criar o blog, em particular.

Só que a razão mesmo desse post é mostrar a alegria de entrever esse viés cultural de Atibaia. Já tinha notado ao presenciar as três últimas edições do “Revelando São Paulo” (que merece um post só dele), em que Atibaia teve atuação de destaque, sem puxar sardinha, em relação aos demais municípios paulistas. E ontem, ao ver aquele público lotando o ótimo Centro de Convenções, de acústica bem acertada; simples, porém aconchegante, entendi o ciclo positivo que já começou: shows bons => público entusiasmado => mais shows bons => notícia se espalhando => mais público entusiasmado e assim vai. Está criada uma “cultura cultural” (hehe). Isso sendo levado ao público infanto-juvenil, apurando-o, dando-se continuidade ao fortalecimento dos valores culturais próprios daqui, com apoio do Município enquanto Estado e da própria sociedade, tudo isso vai naturalmente solidificar nossa identidade como um polo cultural, trazendo maior qualidade de vida à população (tá, preciso aprofundar os links, é que estou com fome), além do que é gostoso pra caramba, assistir e participar.

À Maria Gadú e aos seus dedos circulando em volta do microfone, obrigado por ter sido a madrinha dessa minha percepção.

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Começou

Esse aqui é o meu olhar para minha terra de criação, do canto nordestino atibaiense, pertinho da jerônimo, pitando uma palha imaginária no oleoduto. Que venham minha história, meus causos, meus gostos e minhas irritações; sou o responsável por tudo quanto escreva, sinta, seja.

Atibaia me recebe de braços distraídos desde meus cinco anos. Nem me conhece, mas eu a amo mesmo assim. Um Florentino Ariza engendrado em Bergerac, vir para Atibaia e perceber o descortino de montanhas, para poucas horas ou resto da vida, sente-se a delícia de sempre.

Aos poucos conto tudo. Meses passarão sem eu contar nada.

Um olhar independente. Comprometido comigo mesmo e com meus valores. E só.

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